A Vida de Carlos Gomes

l A VIDA DE CARLOS G O ME S 95 de applausos como raras vezes echoaram tão fra– gorosos na sala austera daquelle max imo theatro t "Carlos Gomes, continú~ a contar Guimarães Junior, ao terminar o ultimo applauso, sáe do theatro como uma bala, pela porta dos artistas, toma um carro e precipita-se para casa. Joga o chapéo de um lado, a casaca e a gravata do outro e sem pensar, sem acabar de se despir, mergulha nos lençóes, cobrindo o rosto como uma noiva chineza . - "Venci, venci a batalha!" - tartamudeava sob a trincheira tremendo, com uma especie de febre nervosa . Na mesma hora o irmão e os ami– gos, após tel-o esperad·o á porta do theatro até á.. · saida do ultimo machinista, o procuravam em to- · dos os cafés de Milão. - "Mas onde se metteu este louco?" Foi en– contrado finalmente sempre mettido sob as co– bertas da cama, silencioso e quieto, curtindo a sua extraordinaria emoção ! Quantos discursos, projectos e chimeras se trocaram até o despontar da aurora seria impossivel dizer . No dia seguin– te, além das felicitações das altas personalidades da arte e da nobreza, o Rei da Itália o nomeava de motu-proprio - Cavalheiro da Ordem da Co– rôa da Italia, e seu mestre Lauro Rossi escrevia– lhe a seguinte carta: "Meu caro discip,ulo já mestre. - Dizer-te ~ orgulho de que estou possuído me é impossível e é inutil ! Asseguro-te que não consta que mes– tre algum colhesse em circumstancias identicas victoria igual á do u Guarany,,. Encho-me tam– bem de gloria estreitando-te em meus braços f e– liz de te considerar meu cellega. (a.) Lauro Rossi".

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