A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna

A AN TA CASA DA MISERICORDIA quinhão nas dadivas porque.ª sua abastança permitti a- lhe libera– lidades sem sacrificios, e partilhar com os pobres os bens da sua fortuna era preparar a bemaventurança eterna. Antes de terminar a pastoral, intercalou a _forma da confraria, contida em deseseis artigos, e em todo homogenea com _o docu– mento da sua apr~sentação. A sociedade tomava Jesus Christo para seu patrono, sob o titulo de Senhor J esus dos Pobres Enfermos, e esta Capital muitas pessoas de todas as parte·, e n~lla se acha erigido o Hospital commum do Estado, no qual forçozamente se hão de fazer despezas avul tadissimas: ordenamos, que da massa commua das esmollas de cada bum dos Lugares, depois delirada a parte, que a Congregação julgar necessaria para acudir aos enfermos desampararlos dos mesmos Lugares, o resto seja remettido ao Thesoureiro da Confraria da Cidade, ou a quem nós determinarmos, para se appli– car aos gastos do H ospital. Concluimos fin almente com as bella~ palavras do grande Doutor ela I greja S. Basílio, pronunciaclas em igual conjuntura : Meus Irmaons, lenho-vos daclo avizos mui importan tes, se vós os abraça is, alcançareis infalivelmen te os bi:ns, que Dcos vos tem promettitlo; porem e os desprezardes, não podereis e\itar os castigos, com que clle vos ameaça. Eu dezejo de todo o meo coração que escapeis a esta calamidade, revestindo-vos de sentimen tos mais racionaveis, afim de que ,·o,sas riquezas sirvão á vos a Santificação, e alcancem os bêns eternos pela graça, e misericordia daquelle que tem chamado a pa rticipação do se Reino. Scrm. 1. cont. Avar. ad. c. 1 2 Luc. infine. Vós, ó Deos de nossos P ais ( follar-vos-hei como o vosrn sen ·o David) sede b emdito por todos os secu los: á vos pertence a victoria, o Louvor, a honro, a magnificencia; ah! e que somos nós, e os nossos presentes? Tudo quant~ abrange o Ceo, e a terra he vosso, e nós não fazemos mais do que offerecer-vos o dizimo dos bêns, que temos r cebido da vossa liberalidade. Que faríamos nós desta abundancia superílua , que não serve senão ele embaraçar-nos, e de perclernos? • ós somos estrangeiros, e viajantes diante de vós, como todo. os nossos Pais. Dignai-vos pois aceitar buma parte elos ,·o so, bcneficios cm acção de graças por tan tos beneficias recebidos. Senhor Deo, de Abraham, ele Izac, e de J acob derramai obre e;ta amavcl porção do vosso Rebanho a abundancia das ,·o . as mi ·ericorcl ias, e fazei que ellcs abra n,' e conservem eterna– men te os sauclaveis avizos, que lhes tendes dado pela boca do mais indigno de todos os Yossos Ministros. Paralip. 29. Dada nesta Cidade do Pará sub nosso sinal, e sello das nossas Armas passada pela Cbancellaria, e regi tada onde pertencer, aos oito dias de Fcver~iro de mil settecentos oitenta e seis annos. Eu o Conego Manoel Ramos ele Sá Escrivão ela Camcra, que a escrevi.// Fr. Caetano Bispo //. Estava o lugar elo sello. ARCHlVO DA SANTA CASA .DA MISER lCORDIA. Livro manu– scripto, cujo termo ele abertura é do theor seguinte: « I-Iade de Servir este Livro para nelle se escreverem a Pastoral da Installação da confraria ou congre.•m da Cariei .• e mais Ordens relati– vas ao regulam.'º da mêsma; para o que vai numerado e rubricado por mim com O Sobrenome (lugar da rubrica) de que us;, Pará 12 d J unho de 1786. José Monteiro Noronha.

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