A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna

A SANTA CA A DA MISERICORDIA nenhuma resistencia encontrou o magi trado na ua tarefa : todos os papeis foram apprehendidos com as formalidade da lei. Do palacio seguiu o ouvidor para casa do padre Nicoláo Gaspar da Fonseca, intimo amigo de Bernardo Ferreira, indig itado como seu socio nos contrabandos, e ahi procedeu nova e minuciosa bu ca na papelada. No dia seguinte uma escolta de quatro soldados e um sar– gento, ao mando do tenente Manoel Pourat, partiu para o Mara– canan. Do exame dos papeis apprehendido verificou-se a innocencia do padre Gaspar, e a cumplicidade de Raymundo BarbosaJacome e José Tavares, o primeiro residente em Cametá, e o segundo no rio Capim, onde passavam faz endas recebidas do padre Bernardo, por cacau e outros g eneros. Ambos foram presos e processados. A escolta mandada ao l\Iaracanan, voltou onze dias depois, com o preso, que o governa– dor mandou encerrar na fortaleza da Barra, incommunicavel com sentinella á vista, até 24 de ovembro de 1 763, dia em que partiu para Lisboa numa frota, sob ás ordens de Manoel Gonçal– ves Salgado; a bordo o custodiou, como a um réo de lesa ma– gestacle, uma força, commandada pelo capitão Aniceto Francisco de Carvalho._ Para o ministerio a cumplicidade elo bispo não tinha duvidas; ordenava-se que o prelado deixasse o baculo e se recolhesse ao reino, onde o esperava o desterro no convento da Alpenduracla, no bispado do Porto, e, para mais accentuar o ri gor das ordens, prescreveu-se que elle e o escrivão viajassem em navios diversos, prohibidos da menor communicação durante a travessia. 1 O padre Bernardo curtiu no Limoeiro de Lisboa as suas 1 SECÇÃO DE MANUSCR IPTOS DA BIBLIOTHECJ\. E ARCI-IIVO PUBLICO. Correspo11denâa dos g overnadores com a 111etr opoü:. Vol. de 1763-17 68. •

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