A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna
A SANTA CA A .DA MI ERICORDIA Pará, em 3 r de Agosto de 1 760, o benedictin o frei João le ão Jüseph de Queiroz, nomeado bispo, sendo assim o quarto p relado que occupava o solio para.ense. Este relig ioso, dotado de profunda illustração, não logrou demorar-se po r muito tempo no governo do bispado; as amistosas relações que, a principi o, mante 0 ve com o governador Manoel Bernardo de Mello e Castro, degeneraram depois em aberta malquerença, que, junta ao odio dos carmelitas, com quem desaveiu-·se o bisp0, levaram o governo da metropole a adaptar severas medidas. 1 O gov~rnad or na sua correspondencia com os m1111 stros, repetidas vezes insinuou não ser o prelado alheio ás espoliações que o escrivão da camara ecclesiastica, o padre Bernardo Ferreira, faz ia ás partes ; esta deshonrosa accusação, varias vezes escripta, tradu ~ o empenho com que Mello e Cas tro buscava o desvali– mento do benedictino. Ás queixas do govern ador vieram reunir-se as do provin cial dos carmelitas, e de g rande parte dos fr ades d'esta ordem, pois, tratando-se da eleição do prior, interveiu o bispo indevidamente, cabalando em favo r de frei Pedro de , Santo Eli ?.eu, ao passo 1ue o governador, não menos indevidamente, pleiteava com o provin– cial em favo r de fr ei José Lopes da Cunha. Por ultimo veiu ainda cm auxilio das accusações do capitão– general, a desavença entre o prelado e o vigario geral do Rio Negro, doutor José 1\/Ionteiro Noronha, a proposito ainda das custas e emolu~entos cobrados pelo. escrivão da camara ecclesias– tica. O vigario reclamára ao bispo con tra exacções que o escrivão 1 Cam illo Castello Branco, commentando as intri gas a respeito do bispo, diz : • Üs inimigos eram os pad res ébrios, o vigario geral, os frades carmeli(as, os devassos rico,, á rrente dos quaes . ah iu u.m l\1athias da Silva Gayo, casado com cl ua. mulh eres• . Este conceito não é ju to : o sr. J oão L ucio de Azevedo, nos seus Estudos de Jfistoria Pararnst!, mostra claramente que Silva Gayo não pôde merecer aquella imputação, pois os manuscriptos do ArcbiYo P ublico do Pará provam que as constante insinuações do governador foram a causa elas Drdcn regias.
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