A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna
372 A SANTA CASA DA MISERICORDIA Ahi as gotteiras deixam penetrar a agua das chuva , tornando qua impossível a morada aos infelizes lepro os, na estação inverno a. O soalh·o envelhecido e esburacado não e presta ao minimo a eio recommendado pela hygiene moderna. As parede , in fi ltrada pela aguas pluviaes, mostram aqui e ali ponto negro e esverdeado , onde pollulam algas e cogumellos de toda a e pecie. « Aj untae a isto, exm.º sr. governador, a escassez de roupa, a alimentação viciosa, ainda que farta, a ausencia quasi completa de disciplina, e terá V. Exc.ª um ligeiro esboço de que é o no o Ho - picio de Lazaros. A Santa Casa de Miserico rdia, que está encarre– gada da direcção d'este proprio do Estado, em seus relatorios annuaes tem fe ito instantes reclamações, nada tendo até hoje con– seguido para melhoramento d'esse asylo. O que fazer, pois, como contri buição ao estudo ela lepra num estabelecimento como este? Nem ao menos a repetição do que se tem feito noutra· paragen é possível, attento a falta de sujeição dos lazaros, ignorantes e des– crentes, aborrecidos de si e de todos ». 1 Estas palavras mostram-nos o asylo no mesmo estado em que o descreveu o provedor conego José Lourenço da Costa Ag uiar, em 1887. Éste provedor fi zera neste anno construir um g rande barra– cão que fi cou servindo de enfermaria, utilisando para tal fim uma verba de 23 :000$000, votada especialmente pela assembléa provincial. U ltimamente reclamava esta dependencia g randes re– paros e despezas, arcando mais uma vez a Misericordia com os gastos da construcção de uma vasta enfermari a para homens, augmento este que melhorou consideravelment~ o seryiço interno do hospício. O asylo tem um medico que o visita todos os dias, e um admi– nistrador a quem incumbe a gestão interna do estabelecimento ; o z A 11,orpliéa n o Pará (carta aberta ao sr. g o·oernador do Estado) . Publ. no Pa1·á-1Wedico. Revista mensal e orgão da sociedade Medico-Pharmaceutica do Pará. Anno I. N.º 7· P ag. 160.
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