A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna
260 A SANTA CASA D \. i\II El IC RDIA largo da Campin a,· ' ao fundo do qual b rilhavam luzes, no campo aberto, profanado e cheio de matto, onde dormiam o derradeiro somno o afric ano que a escravidão reduzira a uma alimari a, o suppliciado que limpava-se n~ putrefacção, para ter ing re o na terra sagrada. Um alta r po rtatil estava armado no logar dos nterramento ·, e diante d'elle, sobre um panno branco, jaz iam os osso exhuma– dos durante o dia. A irmandade formava em alas de um e outro lado do altar ; o cortejo immenso do povo apinhava-s á direita e á esquerda. A escuridão profunda da noite, apezar d:=1-s chammas elos archotes, dava áquelle aju·ntamento um cunho de profoncla tristeza, de fu nebre, de hor roroso. Logo após rapida afi nação de instrumentos, _uma pequena orchestra rompia o silencio com a musica plangente, baixa e solu– çante das encommendações, que acompanhava 0 côro dqs canto– res. Que influencia horrível dev ia exercer este espectaculo sobre o espírito fr aco, credulo em exa 0 gero, supersticioso e timido do povo! Finda a encommendacão, eram as ossadas recolhidas na tumba , e a irmandade ord nava-se para a marcha, sempre ladeada pela massa popular, nessa noite tambem vestida de preto. O homem de azul badalava a campa e abria o prestito, depois seguiam-se a bandeira entre dois tocheiros, as duas filas de irmãos. O g rupo que precedia a t umba tinha a sua fr ente o mordomo dos presos, e fo rmavam-no alg uns padres revestidos ele capas negras, o prove– dor e os mordomos. At raz do esquife, fechava o escrivão o cortejo, ' alçando a imagem do crucificado, entre as chammas de quatro tocheiros que outros irmãos carregavam. As luzes das tochas e dos archotes davam tintas avermelhadas no quadro fun ebre d'aquella 1 Depois chamado da .Polvora por causa do deposito de petrechos ,bell ico que nelle cons– truiu o governador Christovão da Costa Freire, senhor de Pancas, em 17 13, e que veiu a ocr demolido pelo governador Antonio José de Souza de Menezes, conde de Villa-Flór,.em 18 18, achando-se recolhidas as munições ao deposito de São Francisco do Aurà, levantado em 1791.
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