A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna
A SANTA CASA DA l\fl E l ICORDIA escravos do Barão d'Arary, vinham da ilha de Cutijuba, cm um batelão carregado de materiaes de con trucção, quando passaram pela D efensor, ancorada abaixo da fortaleza da Barra, e a ell a atracaram e venderam aos faminto e de~graçaclos colonos peixe e fructas. Este contacto deu como resultado ser a tripala ão toda do batelão atacada de cholera, morrendo no dia 2 7 de Maio o preto Malaquias, e depois os de nomes Joaquim José, Fernando, Manoel e José Capió, salvando-se apena Raymundo. ' o dia 1 8 de Maio mandou o governo para o Arsenal ele Marinha vinte colo– nos que contractára para trabalharem na serraria do Acará; nes te proprio federal dormiram elles duas noites, antes de t<?marem o seu destino. Esta permanencia foi a origem ele outra ramificação : o I r .º batalhão de caçadores de linha dava as g uarnições ao Arsenal, d'onde resultou serem dois dos seus soldados as primeiras victima elo mal na cidade, como adiante veremos. A terceira ramificação subiu leo-uas e leo-uas o Amazonas com cento e oitenta colonos b b ' que levaram o virus até a colonia de Obidos, onde a epidemia irrompeu primeiro no interior. A quarta passou da galera para o vapor de guerra Paraense, com dois colonos contractados como foguistas, e fez as suas primeiras victimas a 2 7, em marinheiros da guarnição. No dia 26 de Maiõ, o Dr. Americo Marques Santa Rosa, 2 cirurgião alferes do corpo de saude do exercito, fazia, ás I r horas da manhã, a sua visita quotidiana aos doentes de r 1 . 0 batalhão ele caçadores, e, nessa occasião, apre_sentaram-lhe dois soldados de semblantes cadavericos, olhos encovados, côr pallida, pulso quasi imperceptível, fraqueza nos membros a ponto de se não poderem x Obr. cit. pag. 2 7. '- 2 V. do A. E sbofo biographico do Dr. Americo ilfarqzees de Santa Rosa. Revista de ensino -A Escola, anno I. n.º 6. 1902. •
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