A Santa Casa de Misericordia Paraense noticia historica 1650-1902 mandada elaborar e publicar pelo governador Antonio José de Lemos Arthur Vianna

' 6 A SA TA CASA D A M ISERICORDIA dos negocios d'esta capitania, da do Ceará e de;> !\ [aranh ão, um go– vernador especial; entretanto, não é m enos verdadeiro que o Pará ~e então e ra uma coloni a p equena, sem grande importancia p a ra a metropole . O conquistador do Pará, como todos os outros, teve por • preoccupação dominante nos seus commettimentos, a ambição dos thesouros que julgava existirem no seio da terra; as minas de ouro e prata, as pedras . preciosas constituiram o d esejo forte, que o levou a todos os trabalhos, a todas as fadigas. E, como topasse na r ealisação d'esse d esejo os sérios obsta– culos da raça indigena em g uerra, protesta ndo de a rmas em punho pela invasão do seu t erritorio, e da compe tencia extrangeira, que buscava firmar-se nas t e rras que elle vinha conquistar, a su as primeiras tarefas, a rduas e difficeis, foram submetter os naturaes e expulsar os extranhos. Em r 650 dominavam a inda os colonos paraenses as ambições auríferas; a onda de ino-lezes h ollandezes e francezes, havia-se J. á b ' desfeito de encontro aos cachopos da t enacidade da bravura lusitanas; os selvagens tinham já ensopado fartamente com o seu sangue o trilho da conquis ta, mas a ideia das riqu ezas immensas, das exaggeradas maravilhas, dos m etaes preciosos, das pedrarias, dos crystaes, dos aljofar es d eslumbrantes, dava a.inci.a á colonia a orientação dos primeiros dias. Si bem que as phantasticas minas ele prata do Caité estivessem então desfeitas pela p r ocur a fatigante e improficua; que nenhum resultado tivesse produzido a grande expedição de Barreiros d e Athayde ás minas do Aguarico; governos e colonos a inda não · estavam convencidos d e que a Amazonia er a sómente uma fecun– díssima e inexgottavel mina vegetal. Forçoso, para uma compenetração decisiva, e ra procurar novas emprezas e novos d esastres, a té uma completa d esillusão ; cumpria que o provecto jesuíta João do Souto Maior p e rdesse a

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