A Ilha dos amores

Via Acteon na caça tam austero, De cego na alegria bruta, insana, Que, por seguir um feio animal fero, Foge da gente e bela forma humana; E por castigo quer, doce e severo, Mostrar-lhe a formosura de Diana. (E guarde-se não seja inda comido Dêsses cães que agora ama, e consumido). E vê do mundo todos os principais Que nenhum no bem público imagina; Vê nêles que não tem amor a mais Que a si somente, e a quem Filáucia ensina; Vê que êsse; que freqüentam os reais Paços, por verdadeira e sã doutrina Vendem adulação, que mal consente Mondar-se o novo trigo florecente. V ê, emfim, que ninguém ama o que deve, Amor divino, e ao povo ca-ridade, Amam somente mandos e -riqueza, Simulando justiça e integridade. Da feia tirania e de aspereza Fazem direito e vã severidade. Leis em favor do Rei se estabelecem; As em favor do povo só perecem.

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