O Estado do Pará 25 de Dezembro de 1935

ubscre r .... FEti so. Elia RE rever! O ESTADO DO PARA” — Quarta-feira, 25 de Dezembro de 1935 SEER si mer e ci ii So aims s 2 a mus “e Qlliança da Bahia Capitalização, 5 te *-- [Companhia Brasileira para jocentivar o desenvolvimento da Economia Capital Subscripto 2000:000B000 a Capitai Realisado 800:000$000 "titulos “desta Companhia é realizar uma 'mederna' a e resete rio ser aasçs operação: financeira dispondo de. q: wa Informações. e detalhes com “| Maximas Garantias e Maximas * E Vantagens . RU ÁGÇIS. rID ES é asc mini Fa mm natal na foz do Oyapock Cassino co, POR THEO FILHO dr > Uma pequena taverna do caes, Já muito perto, o navio desfral- dos, florestas, mosquitos, - dos estaleiros; no. Recife, rei-l dou o pavilhão de França, sau- ções. “nando no Brasil, desordenada- “mente, D. Pedro I, o capitão : Eerdiand Boulard, alcunhaldo o.“Braço de, Ferro”, ergueu O : «opo-de.vinho á á altura dos olhos, na direeção-dos- companheiros *-LEstou-prompto a repetil-o! disse'com emphase. A nossa desgtáçã foi aquelle presepe ar- mado, contra a minha vontade, ás+ vesperas do Natal, quando - tinhamos inimigo pela -prôa e, no fúndo dos porões, duzentas garrafas de aguardente de can-| te “na: Alcool, dansas. e lumina- ridsum môrmaço de rachar a pélle e derreter o alcatrão das "enxarcias! Diabos me .carre- “Euem sê não foi por tudo isso jose perdera a” “Petite Ade- “Je” E or adiar Ferdinand ) Boulihd, aprellidado o “Braço “de “Ferto”, antigo commamdan- Te! da escuna “Petite Adele”, » descarregou na mesa à que se apoiava formidavel murro. Os «Ouvintes, . comprobativamente, abanaram. as cabeças. * mVinhamos “ contentes: das * pequenas Antilhas, onde fizera- “mos, aguada, contentes porque o tiphários vivido alguns mezes de maravilhosas aventuras nos dando-nos com um tiro de pol-|* vora -secca, para immediaia- mente enviar-nos esta mensa- gem: o rei de Portugal, D. João VI, fugindo de Napoleão, irou- xera para a sua colonia do Bra- sil toda a Corte, generaes, al- mirantes e brigadeiros. » Aqui fundara um novo Imperio, de- clarara guerra á França e pre- tendia tomar-nos a Guyana,.No Grão-Pará preparavam-se tro- pas para a invasão imminen- « Dobrando o cabo d'Oran- ge, uma frota luso-ingleza cru- zava nas immediações de Be- hague. “Para a foz do Oya- pock” terminava a mensagem que acolhemos com hurrahs e sopapos de alegria. Assim, meus amigos, com ventos galernos; noite e dia na- vegamos no rumo de Oyapock. Nunca estiveramos naquella zo- na de febres e rispidos tufões, mas sabiamol-a torrida,infesta- da de perigos,propicia ao escor- buto.Jeronymo, o “Esfaquea- dor” immediato da“Petite Ade- le” veraneara, por varias vezes, | em "todo o norte da Venezuela e classificava à região da Guyana como natural prolongamento do purgatorio. Indios desconfia- mares, onde haviam imperado| — as, nãos fortes de Monibarts. “Exterminador”, de Morgan, do - Bello “Lourenço dy 'Olonez; de Rocque; o “Brasileiro”, e de “tantos outros immortaos fli- "busieircs. “A Petite Adele” não nos causara contrariedade algu- ma, Dor mais que afunidasse- mosiávios inglezes aqui e alli. Uma pequena escuna, meus ami- gos, de dois masiros e quatro peças, mas tão dócil, tão lepida ! Fazia gosto vela. rir-se das “grossas fragatas que procura- vam présas á altura dos seus maxilares. “A equipagem. habi- jtuara-se a chamar-se o «Braço de Ferro” porque me asseme- lhava aquelle feroz ' Alexandre Bráco'de Ferro” que tanco me- do“ causara ao sr. Ogeron, go- vernador da ilha da Tartaruga, ao, tempo do rei Luiz XIV... Ah! os bons “fréres de la có- tel”. Roque, o “Brasileiro”, em, “Porto Margot .. Ao facto! Ão facto! recla- maram os ouvintes. Ferdinand Boulúrd, alcunha do0“Braço de Ferro”, fixou o reduzido. auditorio com ex- rss de suxpreza e ferocida- gs 4 Ah! sim; “La Peti'e Ade- le”. Ziguezagueavamos em cruzeiro ao longo da Tabago e | da Trinidad. A' vista da boc- | ca “do “Orinoco, ou “Dbôcea dos | navios” porque tem sido o tu.) mulo de" centenás de embarca- ções, surgiu-nos pela prôa um lugre “que nos pareceu dos nos- sos. 7: “Todos a postos, fizemos recta: um na direcção do outro. PLA + ”) Quo H O pa E Electricidade Paraense Limitada |LUZ-FORÇA-CALOR / trai- Jeronymo e mais outros “irmãos da costa” tinham o pessimo costume de ser muito piedosos e rezadores. .. defeito ou qualidade que o marinheiro deye esquecer no batente do caes, ao partir em campanha. Os anthropophagos da Venezue- lo. —Ao facto, ese Fer- ro” interromperam os e tes. Não divague tanto, por como mouros no altar que Je- Sant'Elmo! O capitão Ferdinand Boulard esteve prestes a zangar-se, in- juriado, mas preferiu accender o cachimbo, numa pausa impa- cientadora. Sua vista acariciou, muito além dos arrecifes, as a- zas fluidicas de um veleiro que se approximava de Olinda. “-——Vogavamos como sobre o azeite, descia o dia 21 de de- zembro. E eis quando Jerony- mo e “Esfaqueador”, e mais os seus amigos beatos, surgiram com, o capricho idiota de feste- jar o Natal entre tantos peri-/ verdadeiramente fradesca. Era um, habito, mas em No dia 23 os gos. tempo de paz... ronymo quiz erigir de encon- tro á coberta da prôa, entre as escadas que subiam para as ca- maras dos graduados. Com um pouco de calma tudo se arranjou a contento... Um presepe im- menso, fabuloso. .. Até eu me enthusiasmei. Um coqueiro de tres metros de altura, encom- menda de um , potentado de França, substituira o pinheiro tradicional que muitos sonha- vamos ostentar em nossos ares. Depois dos jogos, das dansas e dos cantos, fariamos uma, Eça cozinheiro caprichara num in- qualificavel bolo de xeis em que. Usina Brasil, Ltda. Phone: 2003 [SR Dérda de 1.000 operarias beneficiam diariamen- mms to 7 à 8 toneladas aaa Unica exportadora da castanha com casca “Royal BELEM—PARÁ” Telegiammas: (BRASIL NUTS) VA A A A A A ALA A AAA) Travessa Quintino Bocayuva, 361 “NUTCRA CKER” À maior descascadora'e exportadora de castanha do Pará “instalações de luz por aluguel desde '2$000 “por mez E Apparelhos'diversos desuso domestico Motores de todas as forças para'serviços: industriaes. VENDAS à vista e a prestações RE “Avenida Nazareth, 3528 EP ' Feleéphone, 12% IMoreira, Gomes' & jCia. — (Agêntes) É Ú indigenas q que ue traziamos | das “entravam EE de todas 4º ilhas das Virgens trabalharam! as latitudes, um desses bolos cheirosos, provocadores, que o menos, que nos produzem, quan- do delles abusamos é uma certa indisposição . : Os incolas serviriam a con- soada e reproduziriam, a se- guir, Os seus ritos selvagens. Bem que eu dizia ao esfaquea- dor: “Olá, seu Jeronymo,' não acha profana essa mixordia de bamboleios de inídios numa Tes- ta ao menino Jesus”? Mas Jero- nymo chasqueava: “E' assim que se festeja O Natal em Cu- nos imporiarmos. vagabundo, “continu fatídico delineado a Coisa. ruim, «aq onde assavamos e mos de Ruan dissimos. ) quasi todo O ias a dom o inimigo. bolo trepa-nuve: “q commentado, pi ba”. Quasi não prestavamos at-| pe tenção ao caminho, que, pouco a pouco, se tornava perigosissi- mo. No dia 23 bolinavamos em frente á foz do rio, despreoc- cupadamente, quando o; homem de guarda, gritou: “Navio à vis Ferdinand, o “Braço de Fer- ro” enguliu “forte trago de vi- 'nho verde. E arrastando a ca- deira com estrepido: - —Navegavamos mno centro de um “V*” muito aberto, a foz do Oyapock, e aquele navio era avistado no alto da perna es- querda desse “V”?. Nem um rangido de verga! Tudo silen- cioso num mar de barro, indi- gesto, “brr!” capaz de arrepiar as barbas e os cabellos a qual- quer moço de galdrope! “São porituguezes”! errou Jeronymo estirando um olhar de maparico. «Dois balasios, mestre artilheiro”! ordenei, vi- rando-me para o official infe- rior. Ao estampido de nossos tiros de banda as lanchas re- gressaram ao seu ponto de par- tida. “Assertamos numa”! as- | vas Er JA RS: E a “0 en | SS a Companhia de Gaz, Paraense Limitada A GA Z Instatlações Es ciê -— Contracto de consumo 35$000, 45$000 e 69$000 faz ' cale superior qualidade Novos modelos“ de fogões economicos Telephone, 12 Avenida Nazar eth,/528 ' Desse ssssasssssdcesacoss (O DO09DOGORODDAS SSoses es SS 99800500 Bio ULDOSDS POVVDYISDSIAGDE DOD su "E ds sscestescece teses -— “e | digenas entoavai monotonos, 'sempre C ideas “Bem, “bem bum”. rava de longe, car ndo: appetite Bebiamos!' mos! Dansavamo biamos a, quantas, postos pa morta, todo 0. panno, do, arriados. os joanetes, coocadas 5 cheiras as vergas “dos | - Que nos poderia. Mas estav; Tas positivamente. Porque, meus amigos, sub aquillo foi como um vend Fi pia canticos, sa possessos, -ouvimo; estr RES esquisito de. ca caida. num “Trrrram” “Petite Adee ”estiremeceu aa houvesse recebido um: pon 4 em cheio nas nadegas, P Petite Adele”! Dum pulo che- guei á ponte de commando: “A seus postos, artilheiros, Rs rei. Todas as luzessapagadas! Grumetes, supprimam as a do pastoril” !º Trram! Tr ad Buum!” As luzes,.meus mi-.. gos, serviam de alvo ao inj cauteloso que nos ma sem dó nem piedade, como ser fossemos garotos mal educados, recrutas e não velhoZei da costa” dos mares-das A “lhas. Eu estava louco de 7 va e de decepção, certo de que: iria a pique dentro de poucas” horas, mas decidido a rechar de - alto a baixo 'a cabeça de Jero- nymo, o “esfaqueador”, cau- sa, indirecta de toda aquella lastima. Iria rachar-lhe a-ca- beça, a cutello, tão certo como. chamar-me Ferdinand Boulard,. quando o inimigo, sem mais tir= te nem guar-te, nos lançou 08 | seus harpões... Os meus ho- mens, meio tontos, já tropegos, defenderam-se fracamente , o) e a de Rã o

RkJQdWJsaXNoZXIy MjU4NjU0