O Estado do Pará 23 de Novembro de 1935

AA NES die its a ANNO XX V, Director—AFFONSO JUSTO CHERMONT Redacção, administração e officinas Xe PT? Balles,130 1] | Redactorssecretário -SANTANNA MARQUES - piretor—ArrONSO JusTO onerMoNT |] Redacção, admini SS E hr DO A BRASIL — —. RARA — BELEM - — E AOL 23 de Novenihgo, gde 1535 SAIXA à POSTAL, 28 DE sandante | de: be a cg mB: E O E ente daquella “corporação tira a vida ao tenente-coronel! PAULO COSTA ni E a ordem publica deste Estado fanto devia, em varias conjunciuras 59«& = Um ter ten 0 crime repercutiu dolorosamente no seio de'todas as et DOIS OFHIOCILABS FERIDOS | “ Homenagens que vão Ser prestadas, hoje, ao mallogrado militar, por dccasião do seu. PS a MATIS “A (cidade foi sacudida, hon-( O ESTADO, que teve no te- tém, violcntamente, pela cons-| nente-coronel Paulo Costa Fi- ternadora . noticia do barbaro, | lho um amigo, sentimenta nes- frio assassínio, no seu posto de | tas linhas a Policia Militar do commando do Corpo Municipal | Estado e, em especial, o Corpo de Bombeiros, do digno e corre- Municipal de Bombeiros pela eto tenerie-coronel Paulo: Joa-| perda de seu pranteado e bravo quim da Costa Filho. commandante. “ Anoticia brutal correu cele- re os quatro cantos da cidade, poig não havia em Belem quem não conhecesse 0 bravo com- mandante dos Bombeiros, figu- "Como occorreu o crime Hontem, eram 11.10 da ma- nhã quando a cidade foi alarma- da com a noticia de que tôra as- sassinado | o: tenente-coronel Paulo Costa Filho, commandan- e do Corpo Municipal de Bom- beiros, por um tenente da mes- ma corporação . Dirigimo-nos, então, para q quartel dos Bombeiros Munici- paes e lá encontramos o tenente- coronel Paulo Costa Filho ago- nizante. à Não nos foi difficil colher as notas com que narramos o facto ial qual se verificou. A'quella hora, precisamente, achavam-se reunidos diversos olficiaés do . Corpo na sala do Estado, Maior, depois da Visita que alli fizeram autoridades de Marinha, do Exercito e Civis. O: tenente-coronel Paulo Cos- ta Filho, que se despedira das visitas na porta central do quar- tel dirigira-se já para o referido Costa salão do Estado Maior. All pôz-se'a conversar com varios officiaes entre os quaes o major Themistocles Bruce, o capitão Joaquim Geraldo Freire |e tenente Filéto Gomes Lamei- ra. No:ou o tenente-coronel Pau- lo Costa que o temente Sebastião Moreira Lima encostado á porta fitava-o: com insistencia, tendo ar abatido. - Interessou-se pelo seu-collega e perguntou-lhe cor- dealmiente : —* Que é que você tem, tenen- te? Está doente?” Respondeu o tenente Moreira Lima que se sentia um pouco adoentado, mas era quasi nada. —“Então, tenente”, replica o tenente-coronel Paulo Costa, «póde ir para casa. Eu o dis- Tenente-coronel Filho Paulo «Ta; dé soldado em que se incar- , navam todas as: qualidades do «militar disciplinado e do cida- dão cujo rijo caracier o tornava valvo do respeito > da considera- ção de seus concidadãos. í Chefe cuja constante preoc- ara era o bem estar de seus Pordinados, cigso do bom no- , me da coxporação sob seu com- - mando, Paulo Joaquim da Costa « Filho tinha numa inquebranta- vel lealdade aos sãos principios das ordem publica à verticalida- de de suas atitudes. Dedicado, sempre e sempre, ao seu pesto é ás responsabili- dades que pesam sobre o Corpo Municipal de Bombeiros, levou essa Corporação ao logar que lhe compete nesta terra, man- pensarei do serviço, ” tendo-a núm alto plano de a-| Que não, não era preciso: foi Jheiamento a competições ras-| a resposta do outro. teiras de politica, tão só deci-| Prosegue à palestra, Em cer- dida ao serviço do bem publico, | ta altura, como o tenente Mo- derodada no justo e estricto | reira Lima continuasse no mes- cumprimento de seus deveres| mo logar e com a mesma attitu- humanitarios e militares. de, o tenente-coronel Paulo Cos- À Policia Militar do Estedo| ta levantou-se e foi ter ao seu perde assim, com o anente-co- | encontro, dizendo-lhe amistosa- ronel Paulo Cosa; Filho, um de| men'e: eus mais representativos vul-| “Que é que você tem, te- tos; pela coragem pela disci- | nente?” , Plina, eo Pará deplora/ com jus-| . O outro chegou-se-lhe para ta consternação 2 revólta, o des-| mais perto e respondeu baixo o apparecimento brutal Ze um ho-| como que vaicillando : mem de bem, btil ás ins iiuições| —“Estou doente...” e À sociedade em que viveu di- Olhou para os lados e conti- rs & !nuon: Mt) Aspecto'da multidão adensada na rua Conselheiro João Alfredo esquina -da 1 de Setembro, quando o homicida foi preso ; . + Pe, += O orcs o) M. 8:529 k A a Eae Teleg.. ESTAPARA? E 4 —S“Sim, estou doente. Mas é de uma injustiça que o senhor fez. Nessa altura, o tenente Mo- reira Lima metteu a mão por baixo da tunica e coneluiu : —e... Injustiça que só se paga assim!” Ouviu-se um tiro. O tenente- coronel: Paulo Costa levou a mão ao coração e cambaleou. Outros officiaes alve- jados a tiros Os demais officiaes correram para segurar o tenente Moreira Lima. Este detonou a arma so- bre os seus collegas,visando de preferencia o capitão .Geraldo Freire, a quem alvejou duas ve- zes. O capitão Freire jogou-se ao chão, só assim eseapando il- leso dos tiros. Incontinente, o tenente Mo- reira Lima, vendo à sua Yrente o 10 tenente José Anithemor, des Carvalho não. vacilou. Mais uma vez deu ao gatilho agora contra este collega, que foi at- tingido no terço medio do braço esquerdo-onde a bala fez um fe- rimento perfuro-contuso. O ie-! nente Carvalho foi soccorrido pelos seus. combanheiros. Emiquanto isso," procurava dar voz de prisão ao criminoso o 2o tenente Filéto Gomes Lar meira Aquélle tentou alvejal-o, tra- vando lucta com o mesmo, Bó não-realizando o seu intento: de- vido ao tenente Filéto ter segu- rado a arma, ferindo-se no dedo indicador da mão direita. Por fim tropeçou e cahiu numa vala. A fuga e prisão do criminoso to: Empunhando a arma, o tenen- te Moreira Lima alvejou ainda» na porta a sentinella, que pre- tendia barrar-lhe a sahida. Sem- pre a correr tomou de assalto um bonde Circular que passava, saltou mais adeante, entrou numa estacia de madeira, sahiu devois dalli e dirigiu-se para a 7 de Setémbro onde se abrigou numa casa em que foi preso por uma escolta que lhe ia no encal- ço sob o commando do tenente Miguel Osorio. y Conduzido para a Central de Policia, foi apresentado pelo seu detentor á autoridade de perma- nencia-e por esta mandado para a 8.a Delegacia, onde ficou de- tido. awe A morte do tenente-co- ronel Paulo Costa 1º + Filho No quartel dos Bombeiros a confusão era indescriptivel. O facto provocára a revolta em to- dos os animos, Um bombeiro adquiriu rapidamente uma vela de cêra e a collocou na mão do tenente-coronel Paulo Costa Fi- lho, que morria, sendo improfi- cua qualquer tentativa de soc- corro, por parte da A tencia Publica, que, chamada, compare- ceu por intermedio do dr. Paiva Menezes e academicos Wences- lau Botelho e Ribamar Chaves Chega a Policia ao lo- cal do crime As autoridades policiaes to- maram immediatas providen- cias, logo que tiveram conheci- mento do facto w st. da! lhe o Um, pa trago ave str m o o m “o levantaisento e auto- psia do cadaver “ Procedido o levantamento: do cadaver pelo dr. Luiz Corrêa, medico legista e o major Pedro Nolasco Monteiro, 1.º delegado auxiliar, & bulancia d jombeiros Munici- paes para O co “Estadual ahi foi autopsiado (pelos drs. Mario Salgado, Luiz Corrêa e Rodrigues “de Souza, alem: de|. varios-doutsrandos de médicina. Foi veri icada : a causa mortis: hemorrhagia iúiterna devido a um ferimento prófundo no tho- rax com lesão do coração .' Commandou a escolta de bom- beiros que acompanhou o cada- ver do tenente-coronel Paulo Costa Filho até o Necroterio, o 2º tenente Arthur Assumpção de Araujo, ficando o corpo vela- do- por quatro. bombeiros de bayoneta calada, sendo'que dois na porta de; ntrada e os outros dois Funiora a onde foi des nositado o corpo do infortunado official. O cadaver chegou alli precisa- mente 45:11 e 40 da manhã. O pesar das auto $ 3 | ridades a No quartel dos Bombeiros Mu- É nicipaes quando ainda alli sr achava o corpo do tenente-coro- nel Paulo Costa Filho, estiveram o representante do dr. governa- dor do Estado, drs. Samuel Mac- Dowell Filho, Galdino Araujo, "major Alvaro Saldanha, chefe do Estado Maior da 8.a Região, respondendo pelo commando, e todos os officiaes do Q. Gene- ral; senador Abelardo Conduru”, coronel José Coelho, comman- dante geral da Policia Militar, deputados Djalma Machado, Franco Martyres, Souza Filho e do mesmo anno; a capitão a 11| ra Lima, de 26'annos, actual. minoso afim João Sá, além de muitas outras | dê dezembro de 1926; a major, pessoas amigas do morto. Scientificado. do facto, imme- diatamente compareceu ao Cor- po dos Bombeiros, o dr. Alcindo Cacella, prefeito municipal de Belem, acompanhado de seu se- cretario, Orlando de Moraes. "Dados biographicos do ! tenente-coronel Paulo A! Costa Filho O tenente-coronel Paulo Cos- ta era filho de Joaquim Ma- Lima se:viu no es squadrão de” após ter expirado o tenente-co- Photographia especial para O ESTADO, tirada no Corpo Municipal de Bombeiros, no dia dez enove do corrente. , de ser publicada por falta de é Cacella, prefeito municipal de B elem; senador Abelardo Condurw'; tenente-coronel Alberto Mesquita; sr “Costa (1) é p assassino 20 temente S edastião Moreira Lima (2), o tenontescoronel Paulo. | gues dos * | ciola. Contava &! o | [noel da Costa. Nasceu na Ba-| hia a 21 de-agosto de 1884.:Ca- sado.com a senhora Maria Ca-!-do foi transferido para o Co: romina da Costa, desse consor- po Municipal, de . ombeir cio deixa tres filhas, as senhori-|. como sargento correeiro, passa tas Zuleide, Ivone:e Ivette, to-! do a aspirante no governo do das menores. é ' » | Dionysio Bentes. Oceupou Resídia à avenida Serzedello | rante o triennio do dr. E Corrêa n.º 447. - Verificou-pra- Valle o cargo de sub-inspecto ça em 5 de agosto de 1906,! da Guarda Civil: E” paraiba: no Corpo de Bombeiros . Mu-| no, de 47 annos de idade, casado me nicipaes, depois de servir no | com a E aaaa M t: + “Cavallaria da) Força. Publica «To Militar até o anno de 1915. quan-| pres da direita para a esquerda: capitão Joaquim Geraldo | Preir 3); neiro; tenente-coronel Paulo Costa Filho, comandante debito jo capitão Luiz Mesquita. E ; —Em pé, na mesma om dem: 10 tenente Luiz Evaristo “de Carlos Sampaio;-10 tenente José Anthenor de Carvalho (4); tenente Augusto Dias; 20 tenente Arthur Assumpção e 20 Era Sebas! to Mc 1º batalhão de Infantaria du-| Lima, pernambucana, de 40 ane? Conselh rante tres annos. Foi premovido nos pr esumiveis, de cujo consur- ferido M a 2º tenente em 6 de abril dej cio tem cinco filhos sendo o mais “cador “da a 1912; à 1.º dito a 1.º de outubro velho o 2.º sargento José Morei- “sião em qu E mente: trabalhando na Junta de | batava das' mãos a Alistamento Militar, Clotilde, Ge |... CS a 20 annos, Jotfre, de 17; Alberto, Homena; de 16 e Alvaro de 13 annos. " de Be dens de varios prefeitos de Be-| Residia com sua familia, em “coron lem, entre os quaes, Cypriaro| um pequeno chalet de sua PrO- , Santos, Barroso Rebello, Rodti- priedade á Villa Guarany n.º : Santos e Antonio Fa-| 152, de onde sahira ás 7 e meia)" .Q dr .Al » anms de bons | da manhã, sem demonstrar a!a seguinte, menor contrariedade. ' immenso pezar de aos seus munici em 11 de janeiro de 1929 eate-í nente-coronel a 12 de novembro deste anno. Foi ajudante de or- serviços ao Estado. Quem é o criminoso Os feridos Sebastião Moreira Pela Assistencia Publica, logo | rido hoje, | nos esa, na O tenente e es eizo O'dr, ) Guilherme Ch s paço. E' o ultimo retrato do tenente-coronel Paulo Costa Wilho. Veem-seahi: ado *

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